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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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METALÚRGICOS DO ABC

Sem reajuste para montadoras, sindicato fecha acordo com autopeças e fundição

Conselho de Redação

05/09/2010
 
Sem reajuste para montadoras, sindicato fecha acordo com autopeças e fundição
Sem reajuste para montadoras, sindicato fecha acordo com autopeças e fundição
Sem reajuste para montadoras, sindicato fecha acordo com autopeças e fundição

 

Terminou sem a aprovação de um acordo único para toda a categoria a última assembléia do Sindicato do Metalúrgicos do ABC, realizada no último sábado, 04.09, em São Bernardo. Devido ao grande número de trabalhadores, cerca de dez mil, a assembléia fechou a rua da sede do sindicato. Foi aprovado um reajuste salarial de 9% para o setores G3 – autopeças, forjaria, parafusos –, Fundição e G8. Para os trabalhadores das montadoras e demais grupos, o reajuste oferecido segue na faixa de 6 a 7%.
O presidente do sindicato, Sérgio Nobre, disse que esse aumento para o setor das autopeças é a maior proposta dos últimos 10 anos. “A gente sabe que a realidade da empresa hoje é outra. A economia do País vai bem. Por isso, a gente reivindica um bom aumento. Hoje, a inflação é de 4,45%. Essa proposta é maior do que o dobro, por isso temos que valorizar isso”, disse, no  caminhão de som. Além do reajuste salarial, faz parte do acordo a licença-maternidade de 180 dias.
Segundo o presidente da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT/SP (FEM-CUT), Valmir Marques, o Biro Biro, novas rodadas de negociação devem ocorrer nessa semana (quarta, quinta e sexta-feira), com o objetivo de obter o mesmo reajuste nas montadoras. Uma nova assembléia foi marcada para o próximo sábado, 11.09, na sede do sindicato.
Inflação pode comer o aumento obtido
O aumento salarial aprovado nesta assembléia e cantado como a maior vitória nos últimos 10 anos pelo sindicato não garante a prevenção de perdas caso haja um surto inflacionário no país, pois o acordo é válido para os próximos 12 meses. Assim, de que adiantará ter o salário aumentado, se o custo de vida pode aumentar ainda mais? Além disso, o que significa conseguir e aprovar um aumento salarial somente para uma parte da categoria deixando as outras sem nada? Mais do que isso, não existiria aí um componente eleitoral nessa “vitória” do sindicato a menos de um mês das eleições?
Uma palavra-de-ordem única para todos os trabalhadores
A reivindicação pela Escala Móvel de Salários exige o aumento do salário de acordo com o aumento do custo dos itens básicos do consumo das famílias. Ou seja, quando subir o preço dos alimentos, por exemplo, também deve subir o salário do trabalhador. Este programa unifica a categoria, tornando-a ainda mais forte perante os patrões e garantindo um reajuste salarial verdadeiro.