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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS O CORNETA VER CAPA DA EDIÇÃO #122

CAMPANHA SALARIAL

As centrais sindicais e a discussão do salário mínimo

Conselho de Redação

05/09/2010

 

O Governo Federal encaminhou para o Congresso Nacional na terça-feira, dia 31.08, a proposta de orçamento referente à 2011. O orçamento inclui a proposta de um reajuste do salário mínimo, que deverá passar dos atuais R$ 510 para R$ 538,15, o que equivale a um reajuste de 5,52%.
Esse reajuste é pífio se comparado com o aumento do lucro obtido pelas empresas em 2009.
A diferença é gritante, principalmente se considerarmos os lucros dos bancos. Somente no ano passado, o lucro de Santander Real cresceu 40%, chegando a R$ 5,5 bilhões. O Itaú Unibanco fechou 2009 com lucro líquido de R$ 10,1 bilhões, registrando crescimento de 29% quando comparado ao resultado de 2008. Destes três bancos, o Bradesco foi aquele que teve o menor incremento nos lucros em 2009 (5,1%), mas mesmo assim obteve um lucro de R$ 8,012 bilhões.
Esses lucros recordes dos bancos ocorreram no ano seguinte à generosa ajuda dada pelo governo Lula aos bancos, quando emprestou nada menos que R$ 160 bilhões ao sistema financeiro.
As principais centrais, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CGTB e NCST, fingem ignorar a brutal transferência de riqueza ao setor privado efetuada pelo governo Lula e minimizam a enorme discrepância entre a ajuda dada por Lula aos capitalistas e o valor irrisório do reajuste do salário mínimo. Essas Centrais defendem um salário mínimo de R$ 560, o que estaria longe de solucionar a carestia de vida imposta àqueles cuja renda é vinculada a esse indicador econômico.
O presidente da CUT, Artur Henrique, procurou desviar o foco da discussão, afirmando que “o projeto de lei orçamentária é apenas uma previsão de gastos da União, que pode ser alterada após diálogo com os diversos atores sociais”. Não por acaso, esse é o mesmo discurso da candidata petista, Dilma Rousseff, que observou ser o valor do mínimo apenas uma "proposta de referência".
O presidente em exercício da Força Sindical, Miguel Torres, defendeu um reajuste “digno”. Mas, afinal, é possível considerar digno esse salário mínimo de R$ 560 proposto pelas Centrais Sindicais? Para perceber o absurdo dessa afirmação, basta lembrar que, segundo o site G1, o salário mínimo brasileiro chegou a valer, no final da década de 50, cerca de R$ 1.600 em moeda corrigida para os dias de hoje. Ou seja, tanto o valor de R$ 536 indicado pelo governo quanto o de R$ 560 proposto pelas Centrais representam cerca de um terço do valor do salário mínimo há 60 anos.
Fica evidente que o problema não se resume às propostas do governo e das Centrais Sindicais. Essa suposta divergência entre as duas propostas serve mais como um jogo de cena que tem como objetivo encobrir a enorme desvalorização histórica dos salários. 

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