MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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USP

PSOL atropela DCE para adiar assembléias e bloquear movimento

Conselho de Redação

23/03/2009

Há cerca de duas semanas, no dia 6 de março, ocorreu a primeira reunião da nova diretoria do DCE da USP, composta por militantes do PSTU e independentes. Essa reunião foi bastante cheia e um dos embates principais centrou-se na seguinte questão: iniciar as movimentações estudantis através das assembléias ou através de uma reunião do CCA (Conselho de Centros Acadêmicos)?

Diante dos ataques que tanto estudantes quanto funcionários vêm sofrendo sistematicamente, a nova gestão do DCE propôs, naquela primeira reunião, um calendário de luta que se iniciaria através dos debates e assembléias de curso, justamente para aprofundar a discussão sobre o corte de verbas, a implementação do ensino à distância e o avanço da repressão entre a base dos estudantes. Logo após as assembléias de curso, previstas para a semana do dia 23 de março, a gestão do DCE indicou uma assembléia geral dos estudantes da USP para a semana seguinte, prevendo o início da greve dos funcionários e a participação estudantil num ato nacional contra as milhares de demissões que vêm ocorrendo diante da crise financeira, ato esse marcado para o dia 1º de abril.

Para o DCE da USP, e portanto para o PSTU, a reunião do CCA, onde somente os Centros Acadêmicos têm direito à voto, deveria acontecer depois de todo esse processo (no dia 4 de abril) , ou seja, depois que a base dos estudantes estivesse a par dos acontecimentos. Pensamos que essa proposta de calendário era totalmente correta porque fomentaria o debate em cada curso.

No entanto, para os militantes do PSOL e do PCB, tal proposta apresentada pelo DCE era um absurdo. Segundo eles mesmos, o movimento estudantil não podia ficar sem reuniões do CCA por tanto tempo. Encabeçados pelo CEUPES (Centro Acadêmico da Sociais), que é controlado pelo PSOL, chegaram na reunião dizendo que tinham o parecer favorável do número suficiente de Centros Acadêmicos para convocar um CCA para o dia 14 de março, ou seja, para uma semana depois daquela primeira reunião da diretoria do DCE. Para isso, valeram-se de uma cláusula do estatuto da entidade que diz que a reunião do CCA pode ser convocada por ¼ do total de CAs filiados ao DCE.

A discussão sobre o calendário se estendeu por muito tempo e até o final daquela reunião prevaleceu a proposta encaminhada pelo DCE, mesmo porque nas reuniões da diretoria somente os membros da gestão têm direito à voto. Mas, durante a semana seguinte, o PSOL levou adiante a sua proposta e no dia 14 de março aconteceu a reunião do CCA, mesmo que inúmeros centros acadêmicos nem tivessem recebido a convocatória (!). Como era esperado, uma das deliberações foi a mudança da data da assembléia geral, que foi jogada pra frente, para o meio do mês de abril...

O grande absurdo foi a posição do DCE. Eles, que poderiam não legitimar o CCA justamente porque inúmeros CAs sequer receberam a convocatória, resolveram baixar a cabeça diante do PSOL em nome da “unidade” do movimento. E, assim, acabaram por referendar o CCA do dia 14 de março num abandono completo da proposta de calendário que eles mesmos tinham sugerido (!).

Para nós, o embate travado em torno desses dois calendários não se resume a meras cláusulas de estatuto, mas reflete posições distintas sobre os rumos da movimentação dos estudantes. Para o PSOL, pouco importa se foi feito qualquer debate nos cursos antes dos Centros Acadêmicos levarem uma posição para a reunião do CCA. O que importa, pra eles, é controlar a movimentação através do CCA, uma vez que inúmeros CAs da USP, tanto da capital quanto do interior, estão sob seu controle. Não à toa, mesmo diante da urgência dos fatos, a assembléia geral foi jogada para o meio do mês de abril, sem sintonia alguma com o início da greve dos funcionários e com o ato nacional contra as demissões.

Resta saber até quando o PSTU vai se render à pretensa “unidade” com o PSOL em detrimento do início da movimentação dos estudantes. Será que eles, do PSTU, não aprenderam nada com as eleições do DCE do final do ano passado, quando o PSOL e PCB tentaram impugnar a chapa Nada Será Como Antes (chapa do próprio PSTU) – justamente durante uma reunião do CCA – e somente não conseguiram pela diferença de dois votos?

Chega de bloquear as movimentações dos estudantes através dos CCAs!
Às assembléias, às ruas e aos atos!

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