Começam nas universidades estaduais paulistas as assembléias, pequenas manifestações e até algumas ocupações. Em todo o estado, a repressão avança violentamente sobre as universidades e a oposição à implementação do ensino a distância une os estudantes de todas as instituições, públicas e privadas. É mais do que hora de unificar a luta dos estudantes em todo o estado e em todo o país!
Ensino a distância = destruição da universidade
O “ensino a distância”, que está sendo implementado nas universidades estaduais paulistas, nas federais e em muitas particulares e que começa a ser questionado pelos estudantes, é uma nova forma encontrada pelo capital de comprimir violentamente o tempo e o custo da formação universitária e, assim, ofertar ao mercado uma grande quantidade de mão-de-obra a um valor muito menor do que o atual.
Como ensinava o velho Marx em O capital, a grandeza de valor de uma mercadoria é proporcional ao tempo de trabalho nela materializado, e essa lei vale também para a mercadoria força de trabalho. Quanto mais tempo de trabalho for despendido no desenvolvimento dessa mercadoria (o tempo de trabalho dos professores que a qualificam, o tempo de toda a produção intelectual consumida pela mercadoria, o tempo de construção e manutenção de laboratórios, bibliotecas e todas as instalações e instrumentos necessários à sua formação, assim como o tempo do próprio estudante que se molda como mercadoria), maior valor terá ela ao chegar ao mercado.
O ensino a distância não é nenhum “programa de ensino” inovador: ao suprimir a necessidade de edifícios, salas-de-aula, mesas, cadeiras, bibliotecas, livros e até mesmo de professores, além de outros “desperdícios” das universidades tradicionais, como espaços de convivência, áreas de lazer e esporte, alojamentos etc., o capital está apenas reduzindo o custo de formação da força de trabalho, formando mão-de-obra barata.
Esse impulso para uma formação cada vez mais precária e para a destruição da universidade avança há anos em todo o mundo e de forma sistemática: redução da duração de cursos de graduação, abertura de “novos” cursos mais estreitos e especializados, corte de investimentos...
Na mesma direção, a produção científica torna-se cada vez mais diretamente submetida a interesses empresariais. O Estado e os órgãos de financiamento dirigem todos os investimentos para pesquisas que serão aplicadas por grandes empresas.
Corrupção e repressão
Esse processo é dirigido por uma burocracia que se beneficia (muitas vezes ilicitamente) do acesso aos cofres do Estado e da posição de intermediária entre o grande capital e a universidade.
Como vimos recentemente em uma série de escândalos públicos, essa casta burocrática que passa por cima de toda a comunidade universitária para aprovar planos que interessam à minoria da sociedade, essa camada privilegiada de professores dirigentes que reprime estudantes e trabalhadores, que suprime as tradicionais liberdades que caracterizam o campus universitário desde sua fundação, essa burocracia universitária muitas vezes utiliza o poder dirigente em seu próprio interesse privado, inclusive se enriquecendo a partir do desvio de verbas da universidade.
Universidade = mundo
A destruição da universidade dirigida pelos governos burgueses e por uma casta burocrática de reitores e diretores corruptos mostra que eles não têm nenhum projeto histórico. A própria burguesia não tem qualquer perspectiva além do lucro privado imediato e, para ela, a universidade no sentido mais amplo não tem mais porque existir.
Na política nacional, vemos exatamente o mesmo processo: qualquer perspectiva foi abandonada e o Estado é apenas uma ferramenta para a apropriação privada do dinheiro público. O governo Lula, aliado de figuras grotescas como Sarney, Renan e Collor, não tem qualquer projeto para o país, exceto manter a juventude e a classe trabalhadora em silêncio e roubar fortunas dos cofres públicos.
A própria crise econômica internacional, com os governos de todo o mundo entregando trilhões de dólares para empresas que estão demitindo centenas de milhares de trabalhadores, mostra como a burguesia em nível mundial não apresenta nenhuma perspectiva para a humanidade. A burguesia não tem um projeto histórico, não sabe resolver a crise e arrasta a humanidade para o abismo. O capitalismo só avança para a barbárie com demissões, repressão, guerras e destruição da natureza.
É hora de dizer não!
É mais do que urgente iniciar a mobilização dos estudantes contra os ataques das reitorias e governos que nos atingem imediatamente —repressão e destruição da universidade— e, ao mesmo tempo, avançar para uma unificação com a luta dos trabalhadores em resposta à crise —defesa dos empregos e salários.
Nessas últimas semanas, os estudantes da Unesp, em São Paulo, lançaram as primeiras faíscas do que pode se tornar um grande incêndio em todo o estado. Em defesa de seus direitos mínimos e contra a política repressora da burocracia, os estudantes organizaram ocupações nos campi de Presidente Prudente e Bauru. Outras manifestações aconteceram em São José do Rio Preto, Franca e Marília. Na USP, uma assembléia do campus Butantã repudiou os CAs burocráticos que fecham suas reuniões e bloqueiam os estudantes e apontou a luta contra a repressão e contra a destruição da universidade como eixos para o movimento. Essa semana acontecem assembléias de curso e uma assembléia geral na semana que vem.
Adiante estudantes!
Não à repressão!
Não à destruição da universidade!
Aliar a luta contra a crise dentro da universidade à luta contra a crise nos locais de trabalho e em toda a sociedade!
Todo apoio à luta dos trabalhadores em defesa dos empregos e dos salários!
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