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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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BUROCRACIA ESTUDANTIL

Eleição DCE USP: Fraude, fraude e fraude!

Conselho de Redação

29/11/2009
Eleição DCE USP: Fraude, fraude e fraude!

A eleição do DCE da USP, na última semana de novembro, foi uma fraude completa. Se todos os anos existem evidências de fraudes que terminam no lamentável acordão entre as correntes burocratas que disputam o aparelho, este ano a fraude foi muito mais grave, e envolve quase todas as chapas.

1. A fraude do PSOL

Em primeiro lugar, pela primeira vez ficou claro que a chapa que saiu da apuração como “vencedora”, na verdade não foi a chapa que teve mais votos. A chapa do PSOL, “Transformar o tédio em melodia”, só ganhou impugnando uma urna que teria maioria de votos para a segunda colocada, “Reconquista”, e, além disso, com evidências inquestionáveis de fraude em ao menos mais uma urna.

Uma urna da FEA, que daria muitos votos à chapa de direita “Reconquista”, foi convenientemente violada e então impugnada pela comissão eleitoral em que o PSOL é maioria. Ainda assim, a “Reconquista” ficaria na frente do PSOL se uma urna de São Carlos não tivesse “sumido” no meio da apuração e reaparecido com dezenas de votos irregulares que foram considerados válidos. Com esses dois golpes, o PSOL acabou 55 votos na frente da direita (2.500 a 2.445).

2. A fraude da direita

Mas se podemos dizer que o PSOL só venceu a direita com ajuda da fraude, violando urnas e plantando votos, que dizer da segunda colocada, a chapa “Reconquista”?

A chapa do capital, que defendia abertamente o reitor repressor Rodas e a tropa de choque no campus, que propunha o fim das assembléias, teve apoio direto de professores, da Reitoria e do próprio grande capital através da imprensa burguesa. Em qualquer eleição séria, textos como os publicados pelo Estadão, que faziam campanha aberta para a “Reconquista” e nem sequer mencionavam as outras chapas, seriam condenados como campanha eleitoral travestida de “notícia”. Ora, se a “Reconquista” não precisou fraudar urnas, foi porque fraudou na campanha, no apoio do capital, nos 300 mil jornais-panfletos impressos pelo Estadão!

3. A fraude do PSTU e do PCB

E a 3ª e a 4ª colocadas, “Nada será como antes” (PSTU) e “Todo carnaval tem seu fim” (PCB), seriam elas isentas? Poderia alguma dessas chapas ser defendida?

Se o PSOL claramente fraudou votos e a direita fraudou com o apoio do grande capital, o PSTU e o PCB ganharam votos fraudando o próprio programa.

O PCB tem feito campanhas em que vale qualquer coisa para conquistar os votos de direita. Se camuflando com um discurso de movimento “apartidário”, atacando as assembléias como faz a “Reconquista”, escondendo a greve do primeiro semestre e levantando um programa “administrativo” para os CAs e o DCE, o PCB ganha votos na mesma proporção em que fortalece a direita.

O PSTU também muda o discurso pra agradar o freguês. Ao mesmo tempo em que se diz “independente” para ganhar votos de direita, se preocupa em se diferenciar da direita e do PSOL e falsifica o primeiro semestre dizendo que reconquistou a sede do DCE, que lutou contra a Univesp, que enfrentou a polícia… mentira, mentira e mentira! Durante o primeiro semestre, o PSTU estava na verdade bloqueando a luta, junto com o PSOL e com o PCB, e muitas vezes se apoiando nos votos da direita contra a oposição pró-greve.

Que fazer?

O que abriu espaço e fortaleceu a direita no movimento estudantil da USP foi justamente a política do PSTU, do PSOL e do PCB. Com medo da oposição, em 2007 e 2009 eles traíram a luta dos estudantes, esvaziaram as assembléias, quebraram as greves, entregaram as ocupações, fecharam as entidades aos estudantes. Para combater a oposição e para ganhar votos, eles cada vez mais concedem ao discurso da direita, deslegitimam as assembléias e atacam os atos radicalizados. Assim, só desmoralizaram o DCE e o movimento estudantil, e forneceram os argumentos para os reacionários que querem acabar com a luta na USP.

Combater a direita não é apoiar as chapas do PSOL, do PSTU ou do PCB. Combater a direita é defender o movimento estudantil de luta e passar por cima desses grupos centristas burocráticos – que só servem para amarrar a juventude revolucionária e abrir espaço para a direita.

Abaixo toda a fraude!

Todo poder aos estudantes em luta!