Cinco dias depois do reitor Grandino Rodas destituir Rosa Godoy do cargo de coordenação da Coseas [órgão responsável pela administração do CRUSP], a Congregação da Escola de Enfermagem da USP, da qual Rosa Godoy faz parte, soltou uma “manifestação pública de descontentamento” quanto à “forma desrespeitosa” como Godoy foi tratada pelo reitor.
Esse manifesto, aprovado por unanimidade na reunião da Congregação, diz que, desde que a sede da Coseas foi ocupada pelos moradores do CRUSP, Rosa Godoy insistiu para ser recebida por Rodas para solucionar a “crise instalada”, mas seu “pedido não foi atendido”. Além disso, o manifesto relata que faltou “defesa institucional contra as inverdades, as calúnias e difamação que foram divulgadas pelos invasores” em relação ao “projeto de trabalho institucional” desenvolvido na Coseas.
O manifesto da Escola de Enfermagem da USP mente quando diz que os moradores do CRUSP divulgaram “inverdades”, “calúnias” ou “difamação”, já que os documentos oficiais encontrados na ocupação comprovam a existência de um verdadeiro aparato de vigilância da Coseas sobre a vida e o comportamento dos moradores – que inclui relatos de assembléias, horário de entrada e saída de visitantes aos apartamentos, etc.
No entanto, o mesmo manifesto revela claramente que existe uma crise interna à burocracia acadêmica da USP, crise que se intensificou depois da reação de estudantes e funcionários à invasão da PM no campus Butantã em 2009 e que levou José Serra a nomear Grandino Rodas como reitor-interventor da USP contra os candidatos ligados diretamente à antiga reitora, Suely Vilela.
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