Na Unifesp, campus Guarulhos, os estudantes de Letras, que fundaram seu Centro Acadêmico no final do ano passado, agora lutam por um espaço onde possam se reunir, realizar discussões, debates, atividades politico-culturais – um espaço de total autonomia dos próprios estudantes.
Nesse sentido, na última Assembléia de Letras, ocorrida no dia 30 de abril, os estudantes aprovaram uma carta aberta exigindo da Diretoria um espaço físico para o CAEL – Centro Acadêmico dos Estudantes de Letras.
Com o avanço da repressão na universidade [e fora dela também!] e com a universidade que se transforma em shopping ou em ruínas, cada vez mais se mostra necessário que os estudantes lutem por um espaço livre, livre da burocracia, livre da repressão!
Carta aberta dos estudantes de Letras
Solicitação de espaço para o CAEL
Às Diretorias Acadêmica e Administrativa,
A universidade não é e não pode ser apenas a sala de aula. Estudantes de Humanas, como Letras, História, Filosofia, e outros cursos, não se formam apenas assumindo uma postura passiva, entrando e saindo da universidade calados todos os dias. O debate, a produção, a experimentação política e cultural das atividades estudantis livres são, em conjunto, parte fundamental da formação universitária.
É assim em qualquer universidade viva, foi assim para a geração dos nossos professores e deveria ser assim para a nossa geração. Mas as universidades cada vez mais limitam essas possibilidades e reduzem a vida universitária exclusivamente ao cotidiano das atividades oficiais pré-estabelecidas, aos caminhos previstos nas normas, às regras muitas vezes vazias que transformam o território do livre saber numa monótona fábrica de profissionais semi-qualificados.
Objetivamente, hoje, na Unifesp Guarulhos, como –e onde– os estudantes podem se reunir, organizar debates, exibições de filmes, ensaios e apresentações de música ou teatro, oficinas, festas e outras atividades político-culturais? Como produzir um jornal –uma voz independente dos estudantes– sem sequer um espaço físico, onde possa ser redigido e discutido o conteúdo e mantida a estrutura necessária para diagramar e imprimir o jornal? Fundamos um Centro Acadêmico mas não temos sequer espaço para fazer reuniões!
Informalmente, a Diretoria alega que o CA de Letras não pode ter um espaço por falta de espaço no campus. Mas, quando vemos a Atlética com um espaço, quando vemos uma sala no campus para o IBGE, quando vemos um espaço livre ser destinado ao armário dos professores, nós estudantes da Letras (e de outros cursos) nos perguntamos: e o nosso espaço?
A justificativa da Diretoria em não dar o espaço para os estudantes por não ter CNPJ [nome jurídico] é totalmente inconsistente. Com o real propósito de desviar a questão do aspecto político –que um espaço dos estudantes é vital –a diretoria ignora a necessidade dos estudantes quanto a um espaço, na procura de obstáculos [desta vez jurídico], que impede a livre organização dos estudantes.
Diante desse discurso que não se sustenta em pé, não podemos mais esperar: exigimos o nosso espaço, o ESPAÇO DOS ESTUDANTES!
Estamos nos organizando para lutar contra a precariedade da universidade e em defesa de nossos direitos mínimos de organização. Essa carta é uma manifestação da Assembléia Geral dos estudantes de Letras, aprovada por maioria dos estudantes nela presentes. Esperamos uma resposta clara da Diretoria até o dia 17 de maio, quando, em seguida, faremos uma nova assembléia.
Participe da construção de um futuro possível, participe dos Comitês do MNN!
Se você quer conhecer o MNN, participe de um dos nossos comitês! Basta chegar no horário e local marcado, se apresentar e partcipar da reunião, colaborando na medida das suas possibilidades e interesse.
Entre em contato, comente uma notícia, se informe sobre as atividades, envie uma denúncia, solicite materiais: fale com o MNN!