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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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GREVE NA USP

Rodas, Adusp e DCE encerram greve dos funcionários sem conquistas

Conselho de Redação

04/07/2010
Rodas, Adusp e DCE encerram greve dos funcionários sem conquistas

Na última quarta-feira, 30 de junho, os funcionários da USP decidiram em assembléia encerrar a greve, iniciada no dia 5 de maio, e a ocupação da reitoria. A redação final do termo de acordo assinado pela comissão de negociação de Grandino Rodas foi a seguinte:

– Encerrada a paralisação e retomadas as atividades normais da universidade, a reivindicação de concessão de 01 referência (5%), na carreira dos servidores técnico-administrativos, e demais benefícios será examinada durante as negociações da Pauta Específica;

– O pagamento dos salários descontados correspondentes aos dias não trabalhados em virtude da paralisação, referentes aos meses de maio e junho, será realizado em até quatro (04) dias úteis após o encerramento da paralisação, em Folha Avulsa, mediante compromisso de reposição do trabalho não realizado, comprovado pelas chefias;

– Não haverá punição decorrente das atividades relacionadas ao exercício do direito de greve;

– As negociações da Pauta Específica terão início no dia 5 de julho do corrente ano.

Desde o início da greve, Rodas foi incisivo no ataque à organização dos funcionários, afirmando, em comunicado oficial, que aplicaria multas ao sindicato em decorrência dos piquetes e que não pagaria o salário daqueles que aderissem à greve. No início de junho ocorreu, de fato, o corte dos salários de cerca de 1000 trabalhadores, além de faltas injustificadas atribuídas a outros 600 funcionários do campus de Ribeirão Preto. A Polícia Militar também chegou a invadir o campus Butantã na última semana para evitar o fechamento do prédio do Centro de Computação Eletrônica (CCE).

Além de acontecer sob esses fortes ataques de Rodas, a greve dos funcionários da USP também enfrentou o isolamento. A mobilização dos estudantes foi bloqueada pela paralisia da atual gestão do DCE (controlada pelo PSOL) e pelo PSTU, que estavam mais preocupados em organizar o X Congresso dos Estudantes da USP. A maioria esmagadora dos professores e a Adusp (Associação dos Docentes) aceitaram o reajuste de 12,57% e outros benefícios como um cala-boca e não só não saíram à luta como se recusaram a apoiar os funcionários e denunciar os ataques de Rodas.

Terminada agora a greve, ficou claro como esse isolamento impediu que uma das principais reivindicações dos funcionários – a manutenção da isonomia salarial com os demais trabalhadores da universidade, ou seja, os professores – fosse arrancada da reitoria. Nem mesmo a concessão de uma referência na carreira (5% de reajuste) foi conquistada. Como diz o próprio termo de acordo de final de greve, ela será apenas “examinada”.

Além disso, o terceiro ponto do acordo obviamente não garante que não haverá demissões ou processos administrativos contra os funcionários que participaram ativamente da greve, dos piquetes e da ocupação da reitoria. Afinal, como declarou o próprio Rodas em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, “não haverá punição a tudo aquilo que estiver inerente ao direito de greve. Mas vandalismo, depredação do patrimônio público e outros ilícitos estão fora desse direito.”

O reitor mostrou sua cara fascista e conquistou definitivamente o repúdio de grande parte da universidade. Mas a derrota da greve dos funcionários – apesar da inquestionável disposição de luta que demonstrou grande parte da categoria – não seria possível sem a política vergonhosa da Adusp e das principais direções estudantis: Psol e PSTU.

Nos últimos atos e assembléias dos funcionários, as falas revoltadas de muitos trabalhadores de base e os vários votos contrários ao acordo (mesmo sem que houvesse defesa da continuidade da greve) expressam a enorme insatisfação da categoria com a derrota imposta por Rodas.

Como sabem esses trabalhadores, as punições e novos ataques do reitor apenas serão evitados com a luta das centenas de companheiros que resistiram dia a dia contra o corte dos salários, acuando contra a parede diversos diretores de unidade durante a greve deste ano.

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