Segundo o Ministério da Educação, de 1999 à 2008 dobrou o número de instituições do ensino privado no Brasil. Com o aumento da oferta de vagas, de 1999 à 2009 o valor médio das mensalidades nas particulares brasileiras caiu de R$ 532 para R$ 367, de acordo com o sindicato das universidades particulares de SP.
Mas, se a queda das mensalidades e a duração relativamente pequena dos cursos, assim como as bolsas do governo federal, possibilitam que uma parcela maior da juventude se integre ao mercado educacional através das grandes universidades privadas, as próprias estatísticas demonstram que esse fenômeno, que alguns gostariam de chamar de “democratização” do ensino, não tem se traduzido em boas condições de vida e garantia de emprego para a juventude trabalhadora.
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que, em 2007, 60,74% das fileiras do exército de desempregados nacional eram formadas por jovens – o que equivale a 4,8 milhões de jovens desempregados. O instituto aponta ainda que, naquele ano, 30% dos jovens na faixa etária de 21-29 anos trabalhavam em condições precárias, sem carteira assinada; e que, de 1987 à 2007, o desemprego nessa mesma faixa etária cresceu de 5% para 11%.
Apesar da suposta “democratização” e do crescimento vertiginoso das universidades privadas de massas, na última década – empresas nos moldes da Unip ou da Uninove contam hoje com centenas de milhares de alunos –, a classe trabalhadora jovem continua sendo o setor da população mais afetado pelo desemprego crônico do sistema capitalista.
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