Maria Cecília Loschiavo, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, nos enviou o seguinte relato sobre o ensino de Design e o recente concurso da FAU-USP para professor titular nesta área:
“O ensino do design no currículo para formação de arquitetos e urbanistas na FAU foi implantado em 1962, é portanto uma experiência histórica com tradição consolidada, experiência própria que permitiu aos profissionais lá formados atuarem em todas as escalas: arquitetura, urbanismo, design gráfico e design de produto. O ensino e a pesquisa em design são tributários dessa iniciativa pioneira e inédita no Brasil: ensinar design para arquitetos.
Dentre outros, este aspecto já demonstra a relevância da realização do concurso de professor titular em RDIDP, referência MS-6, junto à área de Design do Departamento de Projeto. Mas infelizmente, este concurso foi cancelado!”
Conforme apuramos, este concurso foi cancelado em maio deste ano porque ficaram evidentes as ilegalidades na composição da banca julgadora. Um dos candidatos ao concurso teve participação na indicação dos nomes da banca, o que, por si só, quebra o princípio de isonomia entre os concorrentes ao cargo. Para piorar a situação, a Congregação da FAU-USP (órgão máximo de deliberação da faculdade) referendou, posteriormente, todos aqueles nomes que foram indicados. Diante de tal situação, uma das advogadas da Consultoria Jurídica da USP chegou a dizer que, se houvesse denúncia no Ministério Público, a FAU-USP estaria em maus lençóis.
Tudo isso nos faz perguntar: quantos outros concursos não passaram e passam pelo mesmo processo ilegal na USP? Afinal, até mesmo a escolha dos professores titulares precisa ser controlada pela burocracia, já que eles são os únicos que podem candidatar-se aos cargos de diretor de unidade e reitor na USP.