Na última sexta-feira, dia 16/09, o principal campus da PUC, localizado no bairro de Perdizes em São Paulo, ficou fechado e as aulas foram suspensas. Por meio de um comunicado oficial divulgado na noite de quinta-feira, o reitor Dirceu de Mello, disse que tomou essa decisão para impedir a realização de uma festa estudantil a favor da legalização da maconha, o Festival de Cultura Canábica. A atividade, divulgada nas redes sociais, já contava com a adesão de mais de 5 mil pessoas.
Segundo o reitor, o campus não comporta esse tipo de atividade e o barulho atrapalha as aulas. Além disso, Dirceu de Mello afirmou que também tomou essa decisão por causa da “ousadia preocupante” dos estudantes. Estaria ele preocupado com a ousadia de uma festa a favor da maconha?
Na verdade, impedir essa festa foi uma forma da burocracia da PUC garantir um maior apoio da comunidade universitária, já que nesse caso, se trata de um tema polêmico e que é criticado pelos setores conservadores da sociedade. Por isso, o interesse não é impedir a legalização das drogas. Sem duvida, o interesse é acabar com as festas e, consequentemente, qualquer atividade estudantil para além da sala de aula.
Não é uma posição particular do reitor Dirceu de Mello, mas uma política da reitoria da PUC, que desde 2007 vem cercando o movimento estudantil. Naquele ano, uma festa organizada durante a calourada foi proibida pela reitoria. Assim como vimos na última sexta-feira, em 2007 também os portões foram fechados para os estudantes. Naquele caso, os estudantes pressionaram imediatamente empurrando o bloqueio e conseguiram romper a segurança, realizando a festa. (veja vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=LKQe2mOOyYk)
Se fechar a universidade aos estudantes já é um absurdo, mais inaceitável ainda é o caráter anti-democrático dessa decisão. Afinal, a universidade, espaço de produção do pensamento crítico e do livre saber, deveria garantir mínimas liberdades democráticas como liberdade de expressão e manifestação. O campus universitário, hoje habitado apenas por câmeras e seguranças, deveria ser, como já foi um dia, o território livre estudantil, local de construção do projeto de uma nova sociedade e de um novo futuro.
Leia o comunicado oficial do reitor da PUC:
http://www.pucsp.br/sites/default/files/pucsp/noticias/Ato_do_Reitor_no_127-2011.pdf
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