"Derrota atrás de derrota atrás de derrota". Com essa fala na assembleia geral dos estudantes da USP que ocorreu na última 5af, militante do PSOL defendia abrir negociações com Rodas e resumia o seu pensamento sobre o movimento grevista na USP até então: um grande acúmulo de derrotas. Para eles foram 3: a ocupação da FFLCH, a ocupação da Reitoria e agora a greve. Parece difícil de acreditar, mas é isso mesmo.
Já os camaradas do PSTU escrevem em seu jornal especial sobre a greve que "discordamos do método de ocupação [da Reitoria] no momento em que se deu". Mais adiante dizem que "alguns grupos atuam desrespeitando a opinião dos estudantes e colocando a sua política acima dos fóruns do movimento" atuando de modo "burocrático e irresponsável". Em seguida parecem concordar com o PSOL ao reafirmar que a ocupação "não foi uma vitória" e que, após ela, o movimento "se isolou ainda mais".
Ora, camaradas, algumas coisas precisam ser pontuadas. Primeiro, quem criou toda dúvida sobre a legitimidade da assembleia que decidiu sobre a ocupação da Reitoria foi a mesa conduzida pelo PSOL ao se retirar no meio da principal votação. Foi uma atitude antidemocrática que, mais tarde, foi maquiada por uma nota falsa do DCE!
Segundo, como dizer que a ocupação foi um erro tático? Muitos estudantes que não apoiavam a ocupação da diretoria da FFLCH reivindicavam ocupar a Reitoria. Não por acaso, como mostra o video da segurança da Reitoria cerca de 200 companheiros ocuparam a reitoria e não uma minoria de 50 e poucos como afirmou a mídia.
Mais ainda, apesar da pressão de grande parte da mídia, que chamava os ocupantes ora de "jovens mimados", ora de "minoria radical", apesar da nota falsa do DCE sobre os acontecimentos, a ocupação foi ganhando força e adesão, realizando plenárias com mais de 500 estudantes. Alguns cursos, em assembleias locais, já tiravam apoio à ocupação e professores como Chico de Oliveira se declaravam favoráveis ao movimento.
A invasão de 400 homens do choque na Reitoria, a prisão de 73 companheiros e os abusos cometidos no Crusp tiveram um significado particularmente especial: revelaram, para quem ainda tinha dúvidas, o caráter fascista deste Reitor. Assim, aqueles setores que ainda tinham dúvidas sobre a validade ou não da ocupação, decidiram a favor e rechaçaram terminantemente Rodas e o Convênio.
O resultado? Uma derrota, como afirma o PSOL? Não, claro que não! A assembleia no mesmo dia da invasão da PM, surpreendeu todos os prognósticos mais otimistas: mais de 4 mil presentes! A maioria votou por greve imediata contra a proposta do PSOL / PSTU de um vago indicativo de greve.
Mais uma vez, vieram nos acusar de distanciar a vanguarda do movimento do conjunto dos estudantes. Ora, desde aquela 3af, o movimento só cresceu e, apesar da vacilação da Adusp, apesar da falta de combatividade dos intelectuais, apesar do PSOL boicotar e o PSTU se limitar a um apoio difuso ao movimento, a greve estudantil chegou em cerca de 18 cursos da USP, paralisando cerca de 25 mil estudantes!
Hoje, as assembleias gerais, uma após a outra, são as maiores dos últimos vinte anos! A assembleia geral realizada na última 5af, no edifício da FAU reeditou a foto histórica de 1977. Os informes dos cursos demonstram que o repúdio ao convênio USP-PM é total, inclusive nos cursos mais desmobilizados e tradicionalmente refratários à greve. O comando de greve, uma imperfeita, porém, novíssima experiência de democracia direta soviética (por conselhos) faz reuniões com mais de 130 delegados, eleitos nas bases do movimento.
Quantas derrotas acumuladas! É somente isto que seus olhos conseguem ver, camaradas?
Os camaradas não conseguem enxergar o movimento real das massas estudantis, assim como não compreendem que não se trata de uma massa conduzida pelo MNN, Ler-qi e PCO, como gostam de dizer. Não, é uma massa que ingressa no movimento impulsionada pelo exemplo dos jovens norte-americanos, chilenos, gregos e de várias outras partes do mundo, uma massa que desperta para a luta contra este sistema em agonia que não apresenta futuro algum senão o da repressão e desemprego.
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