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“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

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ELEIÇÕES CAELL-USP

Política sectária faz PSTU perder maior centro acadêmico do Brasil

Conselho de Redação

01/05/2012

A chapa "Uma Flor Nasceu na Rua!", dirigida por membros da juventude do PSTU, foi derrotada na última semana nas eleições para o centro acadêmico de Letras (CAELL) da Universidade de São Paulo. A entidade era, há dois anos, um dos principais pilares de sustentação do PSTU na USP e a derrota se deveu, em última instância, a uma política sectária e equivocada na orientação desse partido.

Em primeiro lugar, com 440 votos, ficou a chapa "Travessia", dirigida por membros do MES (Movimento Esquerda Socialista/PSOL). A chapa do PSTU ficou em segundo lugar, obtendo 230 votos (resultado pequeno, diante da totalidade).

UM RESULTADO DESASTROSO PARA O CONJUNTO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
A vitória do MES/PSOL sobre o PSTU no CAELL é desastrosa para o movimento estudantil da USP por dois motivos, um programático e um organizativo.

A campanha da "Travessia" se dissociou de qualquer imagem de combatividade. Em meio a toda a luta que se desenvolve na USP contra o autoritarismo do Reitor João Grandino Rodas e a PM, a "Travessia" optou por não entrar em temas "polêmicos". Em seu programa de chapa e em seu panfleto de boca de urna, não houve uma única referência à presença da PM na USP, nem aos ataques (eliminações e processos) que Rodas realiza contra os lutadores na USP. De forma hábil (e vergonhosa), o programa do MES/PSOL não se referiu a nenhum tema que exigisse politização e se focou meramente em questões acadêmicas.

Além disso, a vitória da "Travessia" é desastrosa porque as gestões dirigidas pelo MES/PSOL, no DCE, no CAELL ou em qualquer outra entidade estudantil na USP, sempre se caracterizaram pela restrição da democracia: reuniões fechadas, decisões apenas de diretoria, não-realização de assembléias etc. Em caso grave, durante 2011, descobriu-se que a gestão do DCE, dirigida pelo MES, fazia reuniões fechadas com a reitoria da USP (Rodas), às costas dos estudantes, para entregar para a reitoria parte do espaço estudantil.

A DERROTA É RESULTADO DE UMA POLÍTICA EQUIVOCADA DO PSTU
No entanto, esse resultado é em grande parte de responsabilidade do próprio PSTU. Nesse caso, em particular, esse partido realizou uma política que misturou sectarismo com um método equivocado de atuação política.

Duas reuniões em defesa da unidade dos lutadores foram chamadas, convocando todos que, diante da gravidade da conjuntura na USP, aceitassem formar uma chapa com um programa comum e mínimo, de luta contra a repressão e por uma entidade democrática. O PSTU, no entanto, levantou empecilhos secundários para justificar sua não adesão à proposta de frente (como a necessidade de diversas palavras de ordem, como “diretas para reitor!” e outras que, nas alianças que faz com o PSOL, jamais foram citadas).

Na verdade, em última instância, acreditava o partido ser capaz de vencer a entidade sem ter que ceder às chamadas "seitas" existentes no ME e os diversos independentes interessados em levar adiante a luta na universidade.

A atuação como seita, que se caracteriza pelo sectarismo, coube, portanto, ao próprio PSTU. Na verdade, como é fácil verificar, se todos os que estavam presentes nessas reuniões tivessem feito uma única e forte chapa dos lutadores, teriam grandes chances de vencer a "Travessia".

Somou-se ao sectarismo uma concepção errada de método político, sobre como um partido deve atuar numa situação específica diante das diversas forças políticas organizadas. Nenhuma aliança abstrata deve se sobrepôr a uma aliança que leve efetivamente, num determinado local, a um avanço do movimento. Se isso ocorrer, é uma perda da independência daquele determinado partido.

Dizemos isso pois também foi determinante a aliança que tradicionalmente o PSTU faz com o PSOL. Em nome dela, o PSTU se nega a unir-se a outras organizações, mesmo quando tais frentes seriam progressistas para o avanço do conjunto do movimento.

Alguém duvida que seria melhor para o curso de Letras um CA dirigido pelo PSTU conjuntamente com outros setores de luta do ME, se comparado com um CA apenas do MES?

Assim, o PSTU ignorou uma análise concreta de uma situação concreta e a substituiu pela abstração da sua aliança com o MES/PSOL em toda a USP. O MES, pragmático como sempre, sem se prender a princípios abstratos, aproveitou o cenário para puxar o tapete do PSTU. Realizando uma campanha rebaixada, baseada em um voto conservador, difamou o PSTU e o massacrou nas urnas.

Que a derrota da chapa dirigida pelo PSTU nessas eleições do CAELL sirva como lição para as lutas futuras e para a realização de uma verdadeira frente de todos os companheiros dispostos a lutar. 

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