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Carta: Universidade Braz Cubas suspende alunos bolsistas por participarem de atos contra fraudes nas eleições do DCE

Publicado em 02.12.2008
por Conselho de Redação

Publicamos abaixo, carta enviada por estudantes de Mogi das Cruzes sobre um processo absurdo de fraude pelo PSDB na eleição para o DCE da Universidade Braz Cubas, e perseguição pela universidade aos estudantes que se manifestaram contra a fraude.

Estudantes foram suspensos por participarem de manifestações dentro da universidade, e alguns podem perder o ano por causa dessas punições absurdas.

Nessa última semana —17/11 a 21/11—, na Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, ocorreram eleições para o DCE. Insatisfeitos com as inúmeras fraudes ocasionadas pela Chapa 1 (ligada ao vereador Mauro Araújo, do PSDB), vários alunos se organizaram e fizeram atos pacíficos no interior da universidade, com batucadas de maracatu, apitaço, gritos de guerra e etc, com o apoio da grande maioria dos alunos. Ironicamente, aqueles que foram considerados líderes (os nomes estão no fim do texto), foram filmados na manifestação e surpreendidos com telegramas avisando da suspensão, além de terem seus nomes expostos nos murais. A suspensão chega a 17 dias, e uma vez suspensos, serão impossibilitados de realizar as provas (já que é semana de prova) e aqueles que têm problemas com falta, podem perder o ano.

Tudo começou com as fraudes, antes mesmo das eleições. A chapa 1 (situação no DCE há mais de 7 anos, nos quais não realizaram nenhuma eleição, que deveria ser a cada 2 anos) decidiu que haveria apenas um dia para fazer campanha e que no dia seguinte já seria a votação. Controlavam completamente a comissão eleitoral e não permitiram aos alunos da chapa 2 participar dela. O apoio dos alunos à chapa de oposição (chapa 2) era (é) nítido, pois seus integrantes fizeram questão de conversar com os alunos para explicar o que é o DCE, para que serve e etc. e o papel do movimento estudantil na luta contra o aumento das mensalidades. Na votação, os mesários eram somente pessoas ligadas à chapa 1 (um deles assessora do tal vereador), a cédula não foi numerada, vários alunos vieram falar que a chapa 1 oferecia mais de uma cédula, caso votassem nela. Foram vistas pessoas introduzindo maços de cédulas nas urnas. Os fiscais da chapa 2 foram impedidos de entrar nas salas de votação, enquanto os fiscais da chapa 1 e seguranças ficavam dentro das salas.

A UBC é dividida em dois campi principais, um fica longe do outro. O campus de Direito é mais próximo do centro. A apuração foi marcada para acontecer no campus 1, portanto a urna do campus de direito teria que ser transportada até lá. Dado o fim da votação, a urna seria lacrada e os representantes das chapas assinariam um documento. Acontece que a representante da chapa de oposição não pôde assinar o tal documento, tampouco acompanhar o transporte da urna (os integrantes da chapa 1 não deixaram e agiram de forma truculenta, e transportaram a urna sozinhos num carro). Ao que tudo indica, eles fraudaram essa urna também, visto que uma fiscal da oposição verificou que a urna chegou ao local de apuração com o lacre alterado. Havia um clamor para que a apuração fosse pública, mas eles levaram para uma sala isolada e obrigaram a apuração a ocorrer em fechado, com seguranças na porta. Os integrantes da chapa 1 e os seguranças intimidaram observadores da sociedade civil —associações e sindicatos, que ali estavam para acompanhar o processo.

No fim das contas eles —da chapa 1— ganharam com aproximadamente 50 votos de diferença. O problema é que a UBC é uma universidade privada, e goza de certas regalias judiciais que uma universidade pública não tem, portanto é muito fácil para a faculdade reprimir os alunos e ficar tudo por isso mesmo.

A reitoria desencadeou uma perseguição contra estudantes, que já atinge nove estudantes, mas a lista pode crescer. Demais estudantes relataram sofrer intimidações de membros da Chapa 1 e seguranças, que dizem ter filmado e fotografado pessoas. Igualmente, membros da sociedade civil e comunidade universitária que estiveram presentes nas eleições para acompanhar o processo sofreram intimidações por parte dos serviços internos de segurança da universidade.

Os estudantes e a comunidade exigem que as punições sejam revertidas e que sejam amplamente denunciados à sociedade civil estes abusos de autoridade, inconstitucionais e que mais se assemelham às atitudes da ditadura militar.

O movimento estudantil marcou nova manifestação pela reversão das punições e por novas eleições no DCE.

Pedimos apoio e solidariedade aos estudantes punidos injustamente e de forma inconstitucional. Entrem em contato conosco.

Nome dos alunos suspensos:
FERNANDA NAOMI YAKURA
JUAN FELIPE SANTIAGO
MOISÉS DA SILVA SANTOS
RENAN FERNANDO DE CASTRO
JOSÉ ORLANDO DA SILVA JÚNIOR
JOSÉ REIS SANTANA MENES
FABIANA MENDES RANGEL
THAÍS LEMES TRISTÃO
CARLA MENEZES SILVÉRIO

Observação: mais alunos podem entrar para essa lista.

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Publicado em 25.04.2010

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