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PT: 30 anos de traição aos trabalhadores brasileiros

Publicado em 28.02.2010
por Conselho Editorial

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O Partido dos Trabalhadores completou, agora em fevereiro de 2010, quando realizou o seu IV Congresso, exatamente 30 anos de existência. Foi fundado em 10 de fevereiro de 1980 no Colégio Sion e reconhecido oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral em 1982.

Nasceu impulsionado pelas grandes greves metalúrgicas ocorridas entre 78 e 80, assim como, pelas mobilizações de outras categorias como bancários, construção civil, petroleiros, etc. Surgiram novas lideranças entre os sindicalistas, como Lula, Olívio Dutra, Meneguelli e outros, aos quais se juntaram setores de esquerda da Igreja Católica, intelectuais não-leninistas, como Francisco Weffort e Marco Aurélio Garcia, e particularmente diversos setores ditos "trotskistas” que pensavam crescer dentro do PT, fazendo diversas formas de “entrismo", tais como a Convergência Socialista, a Organização Socialista Internacionalista, a Democracia Socialista e diversos grupos menores. Estiveram presentes, também desde o começo, setores dissidentes do stalinismo, tais como aqueles reunidos em torno de José Dirceu, José Genoíno e correntes diversas que se reivindicavam de alguma forma do marxismo.

Na verdade, durante estes trinta anos, boa parte desses agrupamentos foram rompendo com o PT ou sendo expulsos, permanecendo somente aqueles que se submeteram quase totalmente à corrente majoritária do partido, aquela dos sindicalistas. Entre os intelectuais de maior porte no PT, talvez, Marco Aurélio Garcia seja o único ou um dos poucos que restou entre aqueles que foram fundadores do partido. Por exemplo, o sociólogo Chico de Oliveira passou para o Psol, assim como o economista Plínio de Arruda Sampaio. Da mesma forma, os setores mais a esquerda da Igreja Católica, foram, pouco a pouco, rompendo com Lula. Mesmo amigos pessoais de Lula, entre os católicos, romperam com o presidente e com o partido. Tal foi o caso de Frei Beto.

Entre as organizações políticas, no início da década de 90, ocorreu uma primeira grande leva de expulsões, aquela composta por organizações ditas “trotskistas” que não se submeteram totalmente ao setor majoritário, tais como a Convergência Socialista (que formaria o PSTU), a Causa Operária (que formaria o PCO) e outros grupos menores. Em 2004, já durante o primeiro mandato de Lula, viria uma nova leva de organizações ditas "trotskistas” que abandonariam o PT, juntamente com outros grupos de origem marxista como a APS (Ação Popular Socialista), estes setores reunidos fundariam o PSOL nesse mesmo ano.

Como ficou claro nas eleições para a presidência do PT ocorridas em novembro de 2009, a corrente majoritária, construída em torno dos sindicalistas e seus aliados fiéis, domina totalmente o partido. José Eduardo Dutra, o candidato de Lula e dos sindicalistas, obteve quase 60% dos votos, seguido por José Eduardo Cardozo com 18% e Geraldo Magela com 12%, que não chegam a ter um programa diferente daquele da corrente majoritária.

Após estes, veio Iriny Lopes com quase 10% dos votos. Iriny pertence à corrente Articulação de Esquerda, que pretende se diferenciar do campo majoritário. Tal corrente, liderada por Valter Pomar, sustenta que defende “um PT de luta, de massa, democrático, socialista e revolucionário”. Na verdade, porém, dá total apoio à corrente lulista, desenvolvendo um programa alternativo apenas retoricamente.

Finalmente, aparece a corrente O trabalho, último setor lambertista-"trotskista” no interior do PT, cuja liderança, Markus Sokol, obteve menos de 1% dos votos na última eleição à presidência do partido. Existe também a corrente dissidente desta, Esquerda Marxista, cujo candidato, Serge Goulart, atingiu também menos de 1%. Hoje esta corrente se alinha internacionalmente com o grupo de Allan Woods (grupo "trotskista” que atua na Inglaterra), e defende incondicionalmente Hugo Chávez.

De forma mais injustificada que a Articulação de Esquerda de Pomar, estas duas correntes - O trabalho e a Esquerda Marxista - permanecem ainda dentro do PT, fazendo críticas ao lulismo e se dizendo ainda "trotskistas". Como se vê, as correntes de Pomar, Sokol e Goulart, juntas, constituem menos de 12% do PT e servem apenas como um reservatório ideológico "socialista” para acobertar o caráter abertamente traidor do campo majoritário comandado por Lula, aliado dos patrões, dos banqueiros e do grande capital internacional.

Alguns setores da imprensa, como o jornal Brasil de Fato, na sua última edição, comentando os trinta anos do PT, reconhece que o partido mudou. Mas, procura justificar tais mudanças diante das necessidades da governabilidade. Sem dúvida, a composição do partido mudou, mas não a sua direção (sempre comandada pelos sindicalistas e seus aliados) que, apesar de uma retórica habilmente socialista, sempre utilizou a máquina partidária e a burocracia sindical para usufruir de benefícios pessoais. Claro que, no poder, esses benefícios, graças ao aumento extraordinário de recursos, tornaram-se muito maiores, transformando a burocracia sindical em uma espécie de nova casta burguesa.

Hoje o PT controla praticamente toda a burocracia sindical do país que o segue de forma obediente. Por exemplo, ao mesmo tempo que bloqueia normalmente os movimentos grevistas, quando chegam os períodos eleitorais, irrompem greves para prejudicar os municípios ou estados governados por setores não aliados do PT. Os trabalhadores são, assim, utilizados abertamente de massa de manobra eleitoral pela burocracia sindical. Mais do que nunca, também, os cargos sindicais são ante-salas para disputar depois eleições e, claro, em geral, pela legenda petista ou por aquela de partidos aliados do PT.

Sem dúvida, como constata mesmo o jornal Brasil de Fato, o PT mudou. Com a chegada ao poder, mudou para pior. Mas, toda essa sua evolução era previsível. Erraram aqueles que tiveram um dia, na década de 80, ilusões revolucionárias a respeito de um partido embasado nos sindicatos. De forma alguma, o resultado poderia ter sido diferente daquele que hoje vive amargamente a classe trabalhadora brasileira.

Lembremos que mesmo reivindicações fundamentais da CUT na década de 80 foram esquecidas. Por exemplo, o fim do imposto sindical obrigatório e mesmo a redução da semana de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários. Neste momento, às vésperas da eleição, no programa aprovado pelo PT no seu IV Congresso realizado agora em fevereiro, reapareceram promessas de que Dilma, caso eleita, implantará as 40 horas. Por que Lula não as implantou em oito anos de governo?

Essa e outras perguntas devem ser levantadas hoje pelos trabalhadores e pela juventude a respeito do PT. Mais do que nunca é necessário desconfiar dos sindicatos. Mais do que nunca os trabalhadores e a juventude devem aprender a construir organizações independentes dos sindicatos e dos velhos aparatos partidários.

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Publicado em 25.04.2010

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