A
situação social da Grécia está cada vez mais explosiva e deve continuar
contagiando os demais países europeus. Com uma dívida pública que atinge 13%
do Produto Interno Bruto e o risco de moratória, o governo grego anunciou um
plano que prevê o aumento de impostos e o corte de gastos públicos. A reação
dos trabalhadores ao plano foi imediata. Novas greves e manifestações foram
organizadas no dia 5 de março, paralisando parte do país. Os trabalhadores se
opõem principalmente aos cortes em suas pensões, à diminuição dos salários em
12% e aos cortes de 30% dos pagamentos extras.
Por
meio desses cortes e do aumento de impostos, o governo pretende economizar 4,8
bilhões de euros, o que representa 4% do PIB, o que reduziria de 13% para 9% o
montante da dívida em relação ao PIB. Ou seja, esse plano considerado pelos
governos de outros países como uma demonstração de austeridade do governo
grego, esse plano que impõe severas perdas aos trabalhadores, está longe de
resolver a grave situação econômica do país. A situação da Grécia se agrava
ainda mais diante da recusa dos países-membros da zona do euro em socorrê-la. A
chanceler alemã, Ângela Merkel, por exemplo, afirmou que a Grécia não precisa
de ajuda externa.
Desde
fevereiro, a onda de manifestações de trabalhadores vem se espalhando por
diversos países da Europa, como a França, Espanha, Alemanha, Inglaterra e
Portugal. Diante da pressão das massas trabalhadoras, as direções sindicais têm
sido forçadas a encaminhar os movimentos para tentar se manter na sua direção.
A explosão espontânea das massas arrasta atrás de si as direções vacilantes.
A
situação no Brasil
No
Brasil, os trabalhadores também sofrem ataques permanentes aos seus direitos.
Apesar disso, as direções sindicais têm conseguido, na maioria das vezes,
bloquear a mobilização dos trabalhadores. Somente no início de 2010, momento em
que se aproximam as próximas eleições presidenciais, as direções sindicais que
resistiram nos últimos anos aos processos grevistas têm se mostrado dispostas a
organizar greves.
Apesar
da precariedade das condições de trabalho, dos salários cada vez mais
rebaixados e, conseqüentemente, da legitimidade de suas reivindicações, os
trabalhadores tendem a ser usados, em anos eleitorais, como massa de manobra
das direções sindicais atreladas aos governos, que promovem mobilizações
fictícias somente para desgastar os seus candidatos oponentes.
É hora
dos trabalhadores e da juventude superarem as direções traidoras e
burocratizadas, construir suas organizações legítimas e uma nova direção capaz
de erguer a bandeira de um programa único para todos os trabalhadores do Brasil
e do mundo.
fale!
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