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Crise econômica acirra a luta de classes em todo o mundo

Publicado em 07.03.2010
por Conselho Editorial

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A situação social da Grécia está cada vez mais explosiva e deve continuar contagiando os demais países europeus. Com uma dívida pública que atinge 13% do Produto Interno Bruto e o risco de moratória, o governo grego anunciou um plano que prevê o aumento de impostos e o corte de gastos públicos. A reação dos trabalhadores ao plano foi imediata. Novas greves e manifestações foram organizadas no dia 5 de março, paralisando parte do país. Os trabalhadores se opõem principalmente aos cortes em suas pensões, à diminuição dos salários em 12% e aos cortes de 30% dos pagamentos extras.

Por meio desses cortes e do aumento de impostos, o governo pretende economizar 4,8 bilhões de euros, o que representa 4% do PIB, o que reduziria de 13% para 9% o montante da dívida em relação ao PIB. Ou seja, esse plano considerado pelos governos de outros países como uma demonstração de austeridade do governo grego, esse plano que impõe severas perdas aos trabalhadores, está longe de resolver a grave situação econômica do país. A situação da Grécia se agrava ainda mais diante da recusa dos países-membros da zona do euro em socorrê-la. A chanceler alemã, Ângela Merkel, por exemplo, afirmou que a Grécia não precisa de ajuda externa.

Desde fevereiro, a onda de manifestações de trabalhadores vem se espalhando por diversos países da Europa, como a França, Espanha, Alemanha, Inglaterra e Portugal. Diante da pressão das massas trabalhadoras, as direções sindicais têm sido forçadas a encaminhar os movimentos para tentar se manter na sua direção. A explosão espontânea das massas arrasta atrás de si as direções vacilantes.

A situação no Brasil

No Brasil, os trabalhadores também sofrem ataques permanentes aos seus direitos. Apesar disso, as direções sindicais têm conseguido, na maioria das vezes, bloquear a mobilização dos trabalhadores. Somente no início de 2010, momento em que se aproximam as próximas eleições presidenciais, as direções sindicais que resistiram nos últimos anos aos processos grevistas têm se mostrado dispostas a organizar greves.

Apesar da precariedade das condições de trabalho, dos salários cada vez mais rebaixados e, conseqüentemente, da legitimidade de suas reivindicações, os trabalhadores tendem a ser usados, em anos eleitorais, como massa de manobra das direções sindicais atreladas aos governos, que promovem mobilizações fictícias somente para desgastar os seus candidatos oponentes.

É hora dos trabalhadores e da juventude superarem as direções traidoras e burocratizadas, construir suas organizações legítimas e uma nova direção capaz de erguer a bandeira de um programa único para todos os trabalhadores do Brasil e do mundo.

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Publicado em 25.04.2010

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