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Colômbia: proposta de terceiro mandato perde, mas Uribe não sai de cena

Publicado em 07.03.2010
por F. Mendes

Arrastava-se, desde o final de 2008, a proposta de emenda à constituição colombiana que possibilitaria a Álvaro Uribe, atual presidente, disputar o terceiro mandato. Depois de muito tramitar – aprovada em dezembro de 2008 na Câmara e em abril de 2009 no Senado – foi derrubada na Corte Constitucional, em sessão do dia 26 de fevereiro último, por 7 X 2. Assim, ao que parece, o assunto estaria encerrado.

A Corte alegou irregularidades no processo de financiamento da campanha, bem como na aprovação da proposta no Congresso. Todo o processo foi conturbado, sendo denunciados casos de corrupção e compra de votos em praticamente todas as intermediações burocráticas necessárias à tramitação. Para tanto, segundo o líder do Partido Liberal, teriam sido gastos mais de US$ 110 milhões.

Na verdade, todo o processo não se diferencia daquele de 2005, quando Uribe modificou a constituição do país e reelegeu-se uma primeira vez. À época, centenas de denúncias foram veiculadas, expondo financiamento de setores do narcotráfico e paramilitares à campanha de Uribe. Desta vez, no entanto, a proposta não foi vitoriosa.

Sem Uribe, está na pauta do dia o problema da sucessão presidencial. Um grande vazio está colocado. Depois de dois mandatos no poder, Uribe alcançou enormes índices de popularidade, graças às dezenas de programas sociais mantidos pelo governo. Entre eles consta o programa "Famílias em Ação", análogo ao "Bolsa-família" de Lula, que estende-se por 99% do território colombiano.

Com seus programas e seu "combate ao terrorismo", Uribe elevou-se acima da nação como um grande salvador, dando origem a um fenômeno que sociólogos do país chamam de "uribismo", que aprofunda o problema da sucessão presidencial. O uribismo enquanto fenômeno não é algo que desaparecerá do país tão rapidamente e o vácuo deixado no governo abre enormes contradições.

Mas é de se questionar: como pode Uribe, com tamanha influência no Congresso e no Senado, com seus altos índices de popularidade, sofrer tamanha derrota na Corte Constitucional, para a qual ele próprio apontou membros durante seus mandatos? Ao que parece, na verdade, o terceiro mandato foi construído como possibilidade, mas não está no plano oficial de Uribe e do enorme setor da burguesia internacional que o colocou e o manteve no poder.

A verdade é que o governo levado adiante por Uribe e os problemas que suscita estão além do "uribismo" e encontram casos análogos na América Latina e em outros países do mundo. Apresente roupagem de esquerda, como Lula, Chávez e outros; apresente roupagem de direita, como Uribe, ainda assim trata-se de um único fenômeno: o bonapartismo. Como afirma o revolucionário russo Leon Trotsky, trata-se de uma forma de governo que "a decadência da sociedade capitalista põe na ordem do dia", pois "eleva-se acima dos dois campos beligerantes", ou seja, das classes sociais, "para proteger a ordem e a propriedade privada, reprimir a guerra civil por meio do aparelho militar-policial e impedir, assim, que esta reacenda".

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Publicado em 25.04.2010

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