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MS: greve dos agentes de saúde é traída pelo sindicato

Publicado em 07.03.2010
por Conselho de Redação

Na última terça-feira, 02 de março, ocorreu uma paralisação dos agentes que atuam na Saúde Pública em Campo Grande. Os trabalhadores suspenderam a borrifação de inseticida contra a dengue e as visitas domiciliares em busca de focos do Aedes Aegypti. Durante a paralisação, cerca de 100 agentes se concentram em frente à prefeitura na tentativa de conseguir uma audiência com o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB).

De acordo com um dos diretores do Sintesp (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública de Campo Grande, filiado a CUT), Paulo Cesar Ribeiro, os salários dos agentes de saúde gira em torno de R$ 477,00, mais R$ 144,00 por produtividade. Os agentes cobram reposição de perdas salariais, que ultrapassam 60% e o aumento do adicional que está congelado há pelo menos cinco anos. Segundo o coordenador de Políticas Institucionais e Sociais do Sintesp, Amado Cheikh, “O salário-base de um agente que desempenha função igual a nossa no interior do Estado, como Juti, um dos menores, é de R$ 831,00, algo errado acontece em nosso município”.

A categoria reúne 2,5 mil servidores em Campo Grande. Eles negam que tenham aproveitado a situação de epidemia de dengue na cidade para fazer a paralisação. De acordo com balanço parcial do Ministério da Saúde, o Estado de Mato Grosso do Sul ocupa o topo da lista com a maior concentração de incidência de casos de dengue. Enquanto no ano passado foram confirmados 518 casos, neste ano o número de casos já ultrapassa os 21.050.

O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública afirmou que a paralisação, que foi decidida em assembléia, ocorre após várias tentativas de negociação para reposição salarial. Em janeiro foi feita uma paralisação de um dia e meio, e após o pedido do prefeito, retomaram o trabalho, com a promessa de negociar, mas não ocorreram avanços. Desde novembro do ano passado, foram canceladas 3 audiências com o prefeito e na última teriam sido expulsos do gabinete da prefeitura.

Esse episódio ocorreu dia 27 de fevereiro, quando Nelsinho Trad soube de gravações feitas com celulares e gravadores de bolso durante a reunião com os membros da diretoria do sindicato no sábado passado. O prefeito disse que só voltará a negociar se os representantes forem trocados. Na avaliação de Nelsinho, a atitude dos sindicalistas foi “rasteira” e provocou “quebra de confiança”.

Com a paralisação dos agentes, o prefeito demonstrou sua faceta autoritária. Nelson Trad afirmou que “não há motivo para a paralisação dos servidores da saúde”. E ainda determinou o corte de ponto dos agentes que aderiram à greve e a demissão dos que estiverem em estágio probatório, período em que o servidor público ainda não é efetivo. Trad parecia querer passar por cima da lei ao afirmar tal medida, pois, greve não pode motivar demissão, mesmo para quem ainda não é efetivo.

Com o conflito entre prefeito e sindicalistas, a Câmara Municipal resolveu intervir. Dia 04 ocorreu uma reunião entre os vereadores e os sindicalistas para decidirem a questão em torno da greve e do reajuste salarial, mas ampla maioria dos vereadores são base de apoio do prefeito Nelsinho Trad. E durante a reunião, o discurso dos vereadores era claro. Segundo o Vereador Ribeiro (PMDB): “Primeiro é preciso matar o mosquito. Depois pensamos em reajuste salarial”.

Qual foi o resultado da reunião com os vereadores? Com a promessa de que os vereadores vão auxiliar nas negociações com a prefeitura, desde que os serviços continuem a ser prestados, os sindicalistas decidiram encerrar a greve. O que os agentes conseguiram com a paralisação? Eles conquistaram absolutamente nada, além da promessa de que voltaram a negociar. Mais uma vez, a burocracia sindicalista da CUT traiu os trabalhadores encerrando uma greve sem nenhuma conquista.

Com a greve encerrada nessas condições os trabalhadores continuaram com os salários completamente defasados, e agora se encontram completamente desmoralizados diante dessa traição do sindicato. Tal processo deixa claro que é preciso romper com essas direções traidoras que se recusam a lutar de defender os trabalhadores. Esses sindicalistas apenas conciliam com a prefeitura que continua tratando a saúde pública com desprezo. E se a cada ano Campo Grande é vítima de uma epidemia de dengue é porque prefeitura e sindicalistas não tratam com respeito a população e os trabalhadores da saúde.

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Publicado em 25.04.2010

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