Na última terça-feira, 02 de
março, ocorreu uma paralisação dos agentes que atuam na Saúde Pública em Campo
Grande. Os trabalhadores suspenderam a borrifação de inseticida contra a dengue
e as visitas domiciliares em busca de focos do Aedes Aegypti. Durante a paralisação, cerca de 100 agentes se
concentram em frente à prefeitura na tentativa de conseguir uma audiência com o
prefeito Nelson Trad Filho (PMDB).
De acordo com um dos diretores do Sintesp (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública de
Campo Grande, filiado a CUT), Paulo Cesar Ribeiro, os salários dos agentes de
saúde gira em torno de R$ 477,00, mais R$ 144,00 por produtividade. Os agentes
cobram reposição de perdas salariais, que ultrapassam 60% e o aumento do
adicional que está congelado há pelo menos cinco anos. Segundo o coordenador de
Políticas Institucionais e Sociais do Sintesp, Amado Cheikh, “O salário-base de
um agente que desempenha função igual a nossa no interior do Estado, como Juti,
um dos menores, é de R$ 831,00, algo errado acontece em nosso município”.
A categoria reúne 2,5 mil
servidores em Campo Grande. Eles negam
que tenham aproveitado a situação de epidemia de dengue na cidade para fazer a
paralisação. De acordo com balanço parcial do Ministério da Saúde, o Estado de
Mato Grosso do Sul ocupa o topo da lista com a maior concentração de incidência
de casos de dengue. Enquanto no ano passado foram confirmados 518 casos, neste
ano o número de casos já ultrapassa os 21.050.
O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública
afirmou que a paralisação, que foi decidida em assembléia, ocorre após várias
tentativas de negociação para reposição salarial. Em janeiro foi feita uma
paralisação de um dia e meio, e após o pedido do prefeito, retomaram o
trabalho, com a promessa de negociar, mas não ocorreram avanços. Desde novembro
do ano passado, foram canceladas 3 audiências com o prefeito e na última teriam
sido expulsos do gabinete da prefeitura.
Esse episódio ocorreu dia 27 de
fevereiro, quando Nelsinho Trad soube de gravações feitas com celulares e
gravadores de bolso durante a reunião com os membros da diretoria do sindicato
no sábado passado. O prefeito disse que só voltará a negociar se os
representantes forem trocados. Na avaliação de Nelsinho, a atitude dos
sindicalistas foi “rasteira” e provocou “quebra de confiança”.
Com a paralisação dos agentes, o
prefeito demonstrou sua faceta autoritária. Nelson Trad afirmou que “não há
motivo para a paralisação dos servidores da saúde”. E ainda determinou o corte de
ponto dos agentes que aderiram à greve e a demissão dos que estiverem em
estágio probatório, período em que o servidor público ainda não é efetivo. Trad
parecia querer passar por cima da lei ao afirmar tal medida, pois, greve não
pode motivar demissão, mesmo para quem ainda não é efetivo.
Com o conflito entre prefeito e sindicalistas, a Câmara Municipal resolveu
intervir. Dia 04 ocorreu uma reunião entre os vereadores e os sindicalistas
para decidirem a questão em torno da greve e do reajuste salarial, mas ampla
maioria dos vereadores são base de apoio do prefeito Nelsinho Trad. E durante a
reunião, o discurso dos vereadores era claro. Segundo o Vereador Ribeiro (PMDB):
“Primeiro é preciso matar o mosquito. Depois pensamos em reajuste salarial”.
Qual foi o resultado da reunião
com os vereadores? Com a promessa de que os vereadores vão auxiliar nas
negociações com a prefeitura, desde que os serviços continuem a ser prestados,
os sindicalistas decidiram encerrar a greve. O que os agentes conseguiram com a
paralisação? Eles conquistaram absolutamente nada, além da promessa de que
voltaram a negociar. Mais uma vez, a burocracia sindicalista da CUT traiu os
trabalhadores encerrando uma greve sem nenhuma conquista.
Com a greve encerrada nessas
condições os trabalhadores continuaram com os salários completamente defasados,
e agora se encontram completamente desmoralizados diante dessa traição do
sindicato. Tal processo deixa claro que é preciso romper com essas direções
traidoras que se recusam a lutar de defender os trabalhadores. Esses
sindicalistas apenas conciliam com a prefeitura que continua tratando a saúde
pública com desprezo. E se a cada ano Campo Grande é vítima de uma epidemia de dengue
é porque prefeitura e sindicalistas não tratam com respeito a população e os
trabalhadores da saúde.
fale!
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