Primeiro Caderno

O Corneta

Território Livre

busca


Território Livre > Universidade=Shopping

CRUSP: ontem TERRITÓRIO LIVRE, hoje PRISÃO

Publicado em 07.03.2010
por Conselho de Redação

multimídia

1

“Com a destruição da Faculdade de Filosofia [em 1968], situada na Rua Maria Antônia, o CRUSP passou a ser o local de grande importância para o movimento estudantil pela segurança que oferecia às suas reuniões, assembléias e congressos regionais.[...] O CRUSP transformou-se no Quartel General da subversão em São Paulo.”

Encontramos esta definição do CRUSP [Conjunto Residencial dos Estudantes da USP] entre as dezenas de páginas do Inquérito Policial Militar [IPM] instaurado em 18 de dezembro de 1968, um dia depois que os tanques e militares do exército cercaram o CRUSP, revistaram cada um dos apartamentos, apreenderam livros, cadernos de anotações, jornais, e levaram centenas de estudantes presos.

Os blocos do CRUSP, construídos para abrigar os atletas dos jogos panamericanos, começaram a ser ocupados pelos estudantes a partir de 1963, e a cada nova ocupação um passo adiante era dado na construção e organização daquele território livre do movimento estudantil nacional.

Os moradores passaram por cima das resoluções que impunham uma rígida divisão dos blocos entre homens e mulheres. Para se contrapor à administração do conjunto feita pela reitoria, em 1967 os moradores criaram a sua própria associação, que contava, segundo o IPM, com uma “seção de mimeógrafos capazes de tirar 3 cópias por segundo”. A sede do DCE-Livre e da UEE-Livre foram transferidas para lá. Peças de teatro com fortes criticas à ditadura eram encenadas no centro de vivência. Inúmeros jornais e panfletos circulavam pelos corredores.

O CRUSP fervia e os militares sabiam muito bem disso. Depois da invasão pelo exército em 1968, cinco dias após o decreto do AI-5, aquele QG do movimento estudantil foi enfraquecendo e, mesmo após novas ocupações nas décadas seguintes, não voltou a ter a mesma forte organização.

Hoje, com 5 blocos a menos – dos 12 blocos originais, 3 foram demolidos e 2 viraram reitoria – e a administração da COSEAS [Coordenadoria de Assistência Social] a mais, o CRUSP foi transformado numa verdadeira prisão. O térreo livre do projeto original foi fechado. A entrada e saída dos blocos é controlada por vigilantes 24 horas por dia. Aqueles que não conseguem uma vaga são encaminhados para alojamentos provisórios superlotados e mal iluminados [como aqueles que ficam embaixo da arquibancada do centro esportivo da USP]. Aqueles que conseguem são questionados pelas assistentes sociais se estão participando de greves e manifestações. Moradores ditos “irregulares” são expulsos na calada da noite.

Diante dessa situação limite, o jornal TERRITÓRIO LIVRE entrevistou alguns moradores do CRUSP na última semana de fevereiro. Publicamos em nessa edição do site os depoimentos, que revelam o cotidiano do CRUSP que a reitoria não divulga e que poucos conhecem.

leia mais

COSEAS transforma o CRUSP numa prisão. Moradores dizem não e ocupam a COSEAS!

Publicado em 21.03.2010, por Conselho de Redação

fale!
topo
volte

OUTRAS NOTÍCIAS
DESTA EDIÇÃO

CRUSP [igual] prisão (depoimentos)

Polícia reprime ato-festa no CRUSP

Comitês MNN


Publicado em 25.04.2010

CARTAS

Publicado em 25.04.2010

próximas reuniões

ASSINE A MAIS-VALIA

A cada 4 meses, um novo número da revista MAIS-VALIA. Assinando, você recebe a revista na sua casa, em qualquer lugar do Brasil.

Materiais

Capa revista MAISVALIA no. 8 Capa do TRANSIÇÃO no. 23 Cartaz MNN: FORA SARNEY!