Publicado originalmente em 4
de março de 2010, no WSWS
Até agora, cerca de 800 corpos
foram recuperados daqueles que foram
mortos pelo terremoto e tsunamis iniciais no Chile. Concepción, que na
quarta-feira foi abalada por um grande
tremor que mediu 5,8 na escala Richter, até agora já foi atingida por três
tsunamis. Oficialmente só existem 19 desaparecidos em Concepción, mas a
estimativa não-oficial é de 500.
Dez hospitais foram destruídos nas regiões afetadas. A água potável é escassa e o serviço elétrico irregular, mesmo em partes de
Santiago. Além do terremoto inicial, tremores incessantes
danificaram estradas e pontes. Funcionários
das estradas relatam que novas rachaduras aparecem logo que as antigas são consertadas.
A zona mais afetada foi a de Maule, com 587 mortos. Bío Bío
tem 92
mortos, 48 em O´Higgins, 38 na área de Santiago, 20 em Valparaiso e 14 em Araucania.
Uma fotografia na
primeira página do New York Times de quarta-feira impressiona. Ela mostra dois soldados chilenos de pé sobre dois jovens da classe trabalhadora,
com seus rifles em suas costas. Na
sinistra legenda lê-se "estabelecer a ordem e
olhar adiante no Chile." A mensagem que o governo da presidente social-democrata
Michelle Bachelet passa, desta forma, aos trabalhadores e pobres do Chile é que o governo pretende reprimir preventivamente
qualquer possibilidade de uma rebelião popular.
Concepción, com mais de
meio milhão de habitantes, a segunda maior
cidade do Chile depois de Santiago, está
agora ocupada por mais de 14.000 tropas. Em 2 de março, o estado de sítio imposto em Concepción e outras cidades foi
estendido para duas outras cidades costeiras, Curicó e Talca.
Como resultado do toque de recolher de 18 horas
imposto pelo governo, as pessoas só estão autorizados a saírem de suas casas por seis
horas por
dia. A prefeita de Concepción, Jacqueline Van Ryssenberghe, declarou que a distribuição de suprimentos vai "priorizar
aqueles bairros que não participaram nos saques", no sentido de impor uma punição coletiva sobre as regiões operárias mais rebeldes da cidade.
Apesar das evidências mostrarem o contrário, os
cidadãos desesperados, com falta de comida, água e necessidades básicas
são rotulados como "saqueadores e vândalos" por oficiais do governo, uma
mentira que está sendo
cuidadosamente promovida pelos meios de
comunicação de massas.
Um exemplo claro é a CNN Latinoamérica, uma agência que forneceu a plataforma
para Van Ryssenberghe, uma apoiadora da União Democrata
Independente, da extrema-direita nacionalista, que constantemente pediu a Bachelet que enviasse mais tropas e incentivou a formação de grupos de vigilantes. A CNN por diversas vezes transmitiu sua mensagem
em detrimento de muitos outros
relatórios, sem mencionar a política reacionária de Van Ryssenberghe.
Na realidade, os ditos saqueadores estão
enfrentando uma situação extrema e em muitos casos não têm mais opções. Enquanto o abastecimento chega gradativamente a grandes cidades como
Concepción, um correspondente informa em carta ao World Socialist Web Site que cidades como Talcahuano ainda não receberam nenhuma provisão.
No entanto, ela ressalta
que os militares chilenos não têm nenhum problema em
deslocarem milhares de tropas: "Os
supermercados estão abertos, mas isso não ajuda quando não há dinheiro,
não há sistema de cartões de crédito. As pessoas têm que pagar pelas provisões nesta catástrofe extraordinária... o terremoto ocorreu no último sábado de
fevereiro, então as pessoas estão
com pouco dinheiro em espécie.”
Muitas cidades costeiras
foram destruídas e exigem abastecimento imediato. Grandes mercados e farmácias em Concepción sobreviveram, mas foram fechados por seus
proprietários capitalistas, que, incapazes de processar cartões de
crédito e débito, simplesmente se recusaram a distribuir alimentos e recorreram a acumulá-los. Um exército ocupante
está agora protegendo esses estabelecimentos
dos ditos saqueadores.
Um periódico noticiou: "as pessoas esperaram 48 horas", em Concepción, para que esses estabelecimentos abrissem antes de resolverem
a questão com suas próprias mãos. O relatório refere-se ao óbvio, que uma
vez lá dentro, algumas pessoas levaram sapatos, eletrodomésticos e aparelhos de televisão. No
contexto da desigualdade social e econômica do Chile, tais ações foram
inevitáveis.
A falta de infra-estrutura, estradas, abastecimento de água, eletricidade e o colapso de muitos edifícios novos são um resultado direto das políticas de livre mercado
impostas pela ditadura de Pinochet nos anos 1970 e 1980, políticas que têm
continuado até hoje. Rigorosas normas de construção que haviam sido impostas após o terremoto de maio de 1960
foram atenuadas, juntamente com a ideologia de que os mercados são eficientes e de que o lucro basta às normas de
construção.
Muitas dessas estruturas mais novas ainda não caíram, mas elas
correm o risco de desabarem; somente em Bío Bío são pelo menos 17 edifícios
residenciais. O governo chileno estima que 1,5
milhões de casas desabaram ou estão
severamente danificadas.
[traduzido por movimentonn.org]
fale!
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