Esta semana a Fiat anunciou que contratará mil trabalhadores para a unidade de
Betim, em Minas Gerais, até o fim de maio. Anunciadas aos quatro ventos pela
montadora como a maior contratação do ano no Brasil por uma empresa do setor
automobilístico, as novas contratações não superam os 1.600 trabalhadores
demitidos depois 2008. Denúncias feitas pelo próprio
Sindicato no ano passado diziam que os metalúrgicos de Betim trabalhavam até 52
horas por semana para compensar o trabalho dos 1.600 demitidos.
A contratação dos mil trabalhadores foi anunciada vinculada ao aumento de
produção de 190 carros por dia. Conforme declarou o
presidente da montadora, Cledorvino Belini, com os mil novos contratados, a
previsão é de crescimento de produção em 6,5% em relação ao ano anterior. Ou
seja, os 15 mil metalúrgicos da planta terão que dar conta de uma produção
maior imposta pela montadora, ainda que com um número menor de trabalhadores. E
os novos contratados, muito provavelmente, entram mais uma vez com os salários
rebaixados.
Esses são os efeitos da crise. A montadora italiana recebeu do governo Lula
cerca R$ 410 milhões para salvar o que foi perdido em lucros com a diminuição
nas suas vendas. Os milhões oferecidos pelo governo federal eram oriundos do
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que tem como um
dos recursos o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), pago pelos trabalhadores.
Do outro lado, os trabalhadores continuam pagando com o rebaixamento dos seus
salários, a intensificação do trabalho e as horas extras.
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Publicado em 11.04.2010, por Conselho de Redação
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