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Petrobras: as contradições em torno da segurança do trabalho

Publicado em 21.03.2010
por Mouro, petroleiro de São Paulo

A Petrobras integra o seleto grupo de empresas que compõem o Índice Dow Jones de Sustentabilidade. Segundo a direção da empresa, a conquista desse posto foi determinada em grande parte pelo alto padrão da gestão de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde).

No entanto, as condições reais de segurança acessíveis aos trabalhadores da Petrobras não são condizentes com a obtenção desses certificados. No último período, inúmeras denúncias de acidentes e de negligência foram levantadas em unidades de todo o Brasil.

Trabalhadores da Refinaria do Vale do Paraíba (Revap), em São José dos Campos (SP), denunciaram que “a empresa anda retirando os riscos ambientais do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), mesmo havendo exposição dos trabalhadores a riscos químicos, físicos e biológicos” (boletim Tocha, Sindipetro, SJC). Na Plataforma de Mexilhão, na Baixada Santista (SP), os trabalhadores denunciaram que não são fornecidos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos terceirizados. (Sindipetro Litoral Paulista). Situação ainda mais dramática é a enfrentada por seis operários da obra do gasoduto Gasbel II, na Zona da Mata (MG), que foram feridos por um equipamento que opera sob alta pressão. Três deles seguem internados em estado grave.

Além dos altos riscos de acidentes, os trabalhadores estão constantemente sujeitos à punições arbitrárias, como no caso dos trabalhadores da Refinaria de Duque de Caxias (RJ), Reduc, suspensos no início do ano após um acidente. A repressão é freqüente também nas áreas administrativas, como nos Serviços Compartilhados do Edifício Sede (Edise), no Rio de Janeiro (RJ), onde dez dos 33 trabalhadores do setor de Serviços de Suprimento foram punidos (a maioria suspensa e uma demissão) por “erro de procedimento”.

Enquanto os petroleiros destroem sua saúde no processo de trabalho, os capitalistas e os governos estão mais preocupados com a partilha da mais-valia produzida pelos trabalhadores da Petrobras, disputa que ficou escancarada ultimamente na questão dos royalties da futura extração da região do pré-sal. A mais-valia nem sequer foi produzida e os vampiros já estão sobrevoando em torno de seu alvo, em busca do futuro lucro originado pelo perigoso trabalho dos petroleiros.

Somente a organização independente dos próprios trabalhadores poderá garantir a manutenção de sua saúde e de seus direitos básicos.

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Publicado em 25.04.2010

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