Em
greve desde o dia 08 de março, professores da rede pública do Estado de São
Paulo, reunidos em Assembléia Geral na última sexta-feira demonstraram mais uma
vez a força de combatividade da categoria, ocupando e parando as ruas do centro
financeiro da capital paulista. Segundo estimativa da APEOESP, mais de 60 mil
professores participaram da assembléia e da passeata que saiu do Masp, na
Avenida Paulista, e terminou em um ato na Praça da República, em frente à
Secretaria Estadual de Educação.
O
último grande movimento grevista da categoria foi realizado em 2008, quando os
professores pararam as atividades nas escolas durante 21 dias, lotando as
Assembléias Gerais com cerca de 60 mil professores. A greve atual já superou a
de 2008 em quantidade de professores paralisados que, segundo dados da APEOESP,
supera a marca dos 60% de todo o quadro do magistério estadual.
Duas
grandes greves dos professores em menos de dois anos é conseqüência direta das
péssimas condições de trabalho e de salário que eles vêm enfrentando no
dia-a-dia das escolas estaduais. Dentre as várias dificuldades que os
professores enfrentam está a do rebaixamento permanente dos salários, corroído
pela inflação. Outro problema são as salas de aulas superlotadas com mais de 40
alunos, o que inviabiliza a atividade.
Para
agravar a situação, no início deste ano houve a perda do emprego ou a
degradação das condições de trabalho de milhares de professores que não
conseguiram atingir a média para a aprovação na “provinha” classificatória
instituída por Serra em 2009 para o processo de atribuição de aulas.
Mas
o governo não é o único obstáculo que os professores enfrentam na luta pela
conquista de seus direitos. Na assembléia dessa sexta-feira, 19 de março, a
direção da APEOESP bloqueou, mais uma vez, o avanço do movimento. A direção
propôs protocolar na Secretaria de Educação somente na próxima terça-feira dia
23/03 um ofício solicitando a abertura de negociação. Essa proposta foi
confrontada por outra que exigia uma negociação imediata, no próprio dia da
passeata. Percebendo que perderia a proposta, a direção da APEOESP fez uma
manobra, propondo avaliar no final da passeata se o Secretário da Educação
estaria presente na Secretaria. O desfecho era evidente: no final do ato a
direção da APEOESP alegou que o Secretário não se encontrava no local e,
portanto, não seria possível negociar. O que mais será necessário, além da
presença de 60.000 professores, para que essa direção avance nas negociações?
Apesar
dessa direção, os professores têm demonstrado uma radicalidade cada vez maior.
Por diversas vezes os professores atropelaram a direção. É provável que os
professores, para conquistar suas legítimas reivindicações, terão que superar
sua própria direção. A próxima assembléia será na sexta-feira, 26/03, às 15
horas, no Palácio dos Bandeirantes.
ADIANTE PROFESSORES!
PELA
DEFESA DE NOSSOS DIREITOS!
fale!
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