Nas
últimas semanas a greve dos professores da rede pública do Estado
de São Paulo, iniciada em 08 de março, tem recebido diversos
ataques do governo Serra. Esses ataques consistem em uma tentativa de
deslegitimar o movimento grevista com a alegação de que a greve
seria a manifestação de interesses eleitoreiros de partidos
políticos.
Ao
contrário do que afirma o governo, os interesses dos professores
estão relacionados à legítima defesa de seus empregos e seus
salários. Nesse sentido, para os professores, a greve deve continuar
até que os principais pontos da pauta de reivindicações sejam
atendidos pelo governo, como, por exemplo, o reajuste salarial,
necessário devido à extrema defasagem existente em decorrência de
seguidos anos sem reajuste.
Além
da reposição das perdas salariais, a Escala Móvel de Salários e a
Escala Móvel de Horas de Trabalho são imprescindíveis. A primeira
garante que não ocorram novas perdas salariais no futuro, por meio
do reajuste mensal automático dos salários de acordo com a
inflação, ou seja, a manutenção dos salários. A segunda
significa a redução do número de alunos por sala de aula até que
todos os professores tenham acesso ao trabalho, sem qualquer redução
dos salários.
A
categoria tem demonstrado, nas assembléias e passeatas, um
extraordinário espírito de luta, atropelando, por diversas vezes, a
direção do sindicato, como ocorreu na última assembléia, quando a
direção (Articulação Sindical e Oposição Alternativa) propôs
que a próxima assembléia fosse realizada na Praça da República, o
que diminuiria a visibilidade do movimento. Após a vitória contra
sua própria direção, milhares de professores defendiam a
concentração na Avenida Paulista, gritando: “Paulista! Paulista!”
A
direção da APEOESP precisará provar que seu interesse é realmente
o de conquistar melhores condições de trabalho e a manutenção dos
salários para os professores. Isso somente ocorrerá caso o
sindicato dê continuidade ao movimento até que o governo atenda
suas principais reivindicações.
O
fim da greve neste momento, sem conquistas significativas, poucos
dias depois da saída de José Serra do Governo do Estado, levantaria
sérias suspeitas em relação aos reais interesses da direção da
APEOESP, suspeitas de que seus interesses eram meramente
eleitoreiros, isto é, eram interesses voltados a desgastar José
Serra para beneficiar a candidatura de Dilma Rousseff.
Certamente,
os professores não aceitariam pacificamente que seja decretado
arbitrariamente o fim da greve, os professores não aceitariam
pacificamente terem sido usados como massa de manobra para fins
eleitorais. Portanto, a partir dessa semana a direção da APEOESP
precisa mostrar a que veio. O único caminho é avançar na luta,
exigir de maneira intransigente o atendimento das reivindicações
dos professores.
Ocupar
as avenidas de São Paulo!
Até a vitória,
professores!
fale!
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