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Mesmo sem Serra no governo: a greve continua!

Publicado em 04.04.2010
por Fernando Ribeiro

Nas últimas semanas a greve dos professores da rede pública do Estado de São Paulo, iniciada em 08 de março, tem recebido diversos ataques do governo Serra. Esses ataques consistem em uma tentativa de deslegitimar o movimento grevista com a alegação de que a greve seria a manifestação de interesses eleitoreiros de partidos políticos.

Ao contrário do que afirma o governo, os interesses dos professores estão relacionados à legítima defesa de seus empregos e seus salários. Nesse sentido, para os professores, a greve deve continuar até que os principais pontos da pauta de reivindicações sejam atendidos pelo governo, como, por exemplo, o reajuste salarial, necessário devido à extrema defasagem existente em decorrência de seguidos anos sem reajuste.

Além da reposição das perdas salariais, a Escala Móvel de Salários e a Escala Móvel de Horas de Trabalho são imprescindíveis. A primeira garante que não ocorram novas perdas salariais no futuro, por meio do reajuste mensal automático dos salários de acordo com a inflação, ou seja, a manutenção dos salários. A segunda significa a redução do número de alunos por sala de aula até que todos os professores tenham acesso ao trabalho, sem qualquer redução dos salários.

A categoria tem demonstrado, nas assembléias e passeatas, um extraordinário espírito de luta, atropelando, por diversas vezes, a direção do sindicato, como ocorreu na última assembléia, quando a direção (Articulação Sindical e Oposição Alternativa) propôs que a próxima assembléia fosse realizada na Praça da República, o que diminuiria a visibilidade do movimento. Após a vitória contra sua própria direção, milhares de professores defendiam a concentração na Avenida Paulista, gritando: “Paulista! Paulista!”

A direção da APEOESP precisará provar que seu interesse é realmente o de conquistar melhores condições de trabalho e a manutenção dos salários para os professores. Isso somente ocorrerá caso o sindicato dê continuidade ao movimento até que o governo atenda suas principais reivindicações.

O fim da greve neste momento, sem conquistas significativas, poucos dias depois da saída de José Serra do Governo do Estado, levantaria sérias suspeitas em relação aos reais interesses da direção da APEOESP, suspeitas de que seus interesses eram meramente eleitoreiros, isto é, eram interesses voltados a desgastar José Serra para beneficiar a candidatura de Dilma Rousseff.

Certamente, os professores não aceitariam pacificamente que seja decretado arbitrariamente o fim da greve, os professores não aceitariam pacificamente terem sido usados como massa de manobra para fins eleitorais. Portanto, a partir dessa semana a direção da APEOESP precisa mostrar a que veio. O único caminho é avançar na luta, exigir de maneira intransigente o atendimento das reivindicações dos professores.

Ocupar as avenidas de São Paulo!

Até a vitória, professores!

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Publicado em 25.04.2010

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