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Demissões na Cinpal, até quando?

Publicado em 25.04.2010
por Conselho de Redação

É o que querem saber os trabalhadores da Cinpal, indústria de auto-peças em Taboão da Serra (SP).

“Só nesta semana foram 8 demissões: 4 na usinagem e mais 4 no semi-eixo”, diz um trabalhador. “Nessa semana foram mais 20 demissões: 15 na usinagem e outras 5 em outros setores”, diz outro. “Mais 4 demissões essa semana na fábrica 2, todos no setor da usinagem”, acrescenta o terceiro.

A média de demissões na Cinpal é de 28 trabalhadores por mês, nos últimos 6 meses. Segundo o Sindicato, uma empresa deste porte tem uma média de 34 demissões por mês. Assim, conclui um diretor sindical: "estamos abaixo da média".

Mas não é bem assim. Em outubro e novembro de 2009 não houve nenhuma demissão em função do dissídio coletivo, em dezembro e janeiro também não, devido ao acordo de estabilidade. O sindicato somou o total de demissões ocorridas após o acordo de estabilidade e dividiu por seis meses, obtendo a "média histórica normal".

Enquanto isso, a perseguição no interior da fábrica só aumenta. Os grevistas são demitidos, quem não fez greve é promovido. Um demitido da usinagem tinha 13 anos de empresa sem nenhuma falta. Nada foge aos olhos eletrônicos das câmeras de segurança.

E o ritmo de trabalho não pára de aumentar, conforme aumentam as demissões:

—Depois das demissões, estou trabalhando em 3 máquinas ao mesmo tempo, fazendo o trabalho de outros dois que foram mandados embora. Estamos trabalhando muito pra estocar peça. E isso não é a toa, vem mais demissão por aí e a empresa já vai acumulando peça. Os demitidos ganhavam R$1.100, quem entrou no lugar tá ganhando R$ 900, mas líquido mesmo tão recebendo R$ 800.

A Cinpal é conhecida na região pela sua influência dentro dos gabinetes da prefeitura e pelo domínio total da estrutura sindical. Poucos trabalhadores se atrevem a entrar numa disputa trabalhista contra a empresa, "é causa perdida". Não há qualquer liberdade de organização no interior da fábrica e o "direito de greve" é uma piada.

—E o sindicato continua sem agitar nada e fazendo o papel do X-9. Tão mandando embora e o sindicato continua falando que é tudo boato!

—O sindicato montou uma comissão de negociação, mas ninguém quis participar da comissão. Você não pode falar nada lá, vai lá só pra balançar a cabeça. Tá tudo armado entre a empresa e o sindicato.

—O sindicato jamais contestou os números apresentados pela empresa, nos últimos dias notamos a demissão de vários companheiros que estiveram na subsede de Taboão e se pronunciaram a favor da greve ou questionaram a atuação do sindicato. Muitos não irão mais na subsede, pois quem se arrisca a fazer alguma crítica é demitido.

Se o sindicato é incapaz de fazer alguma coisa, os trabalhadores já começam a apontar o caminho:

Em defesa do direito de organização e reunião, organização direta dos trabalhadores independente do sindicato!

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