É
o que querem saber os trabalhadores da Cinpal, indústria de
auto-peças em Taboão da Serra (SP).
“Só
nesta semana foram 8 demissões: 4 na usinagem e mais 4 no
semi-eixo”, diz um trabalhador. “Nessa semana foram mais 20
demissões: 15 na usinagem
e outras 5 em outros setores”, diz outro. “Mais 4 demissões essa
semana na fábrica 2, todos no setor da usinagem”, acrescenta o
terceiro.
A
média de demissões na Cinpal é de 28 trabalhadores por mês,
nos últimos 6 meses. Segundo o Sindicato, uma empresa deste porte
tem uma média de 34 demissões por mês. Assim, conclui um diretor
sindical: "estamos abaixo da média".
Mas
não é bem assim. Em outubro e novembro de 2009 não houve nenhuma
demissão em função do dissídio coletivo, em dezembro e janeiro
também não, devido ao acordo de estabilidade. O sindicato somou o
total de demissões ocorridas após o acordo de estabilidade e
dividiu por seis meses, obtendo a "média histórica normal".
Enquanto
isso, a perseguição no interior da fábrica só aumenta.
Os
grevistas são demitidos, quem não fez greve é promovido. Um
demitido da usinagem tinha 13 anos de empresa sem nenhuma falta. Nada
foge aos olhos eletrônicos das câmeras de segurança.
E
o ritmo de trabalho não pára de aumentar, conforme aumentam as
demissões:
—Depois
das demissões, estou trabalhando em 3 máquinas ao mesmo tempo,
fazendo o trabalho de outros dois que foram mandados embora. Estamos
trabalhando muito pra estocar peça. E isso não é a toa, vem mais
demissão por aí e a empresa já vai acumulando peça. Os demitidos
ganhavam R$1.100, quem entrou no lugar tá ganhando R$ 900, mas
líquido mesmo tão recebendo R$ 800.
A
Cinpal é conhecida na região pela sua influência dentro dos
gabinetes da prefeitura e pelo domínio total da estrutura sindical.
Poucos trabalhadores se atrevem a entrar numa disputa trabalhista
contra a empresa, "é causa perdida". Não há qualquer
liberdade de organização no interior da fábrica e o "direito
de greve" é uma piada.
—E
o sindicato continua sem agitar nada e fazendo o papel do X-9. Tão
mandando embora e o sindicato continua falando que é tudo boato!
—O
sindicato montou uma comissão de negociação, mas ninguém quis
participar da comissão.
Você
não pode falar nada lá, vai lá só pra balançar a cabeça. Tá
tudo armado entre a empresa e o sindicato.
—O
sindicato jamais contestou os números apresentados pela empresa, nos
últimos dias notamos a demissão de vários companheiros que
estiveram na subsede de Taboão e se pronunciaram a favor da greve ou
questionaram a atuação do sindicato. Muitos não irão mais na
subsede, pois quem se arrisca a fazer alguma crítica
é demitido.
Se
o sindicato é incapaz de fazer alguma coisa, os trabalhadores já
começam a apontar o caminho:
Em
defesa do direito de organização e reunião, organização direta
dos trabalhadores independente do sindicato!
fale!
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